Entrevista exclusiva para a Billboard!

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Hoje foi ao ar a nova entrevista de Avril Lavigne para a revista Billboad. A cantora falou diretamente da sua casa em Los Angeles e abortou assuntos desde quando começou a sentir os sintomas de Lyme, em 2014. Além de assuntos pessoais e íntimos, revelou que seu novo álbum será lançado no início de 2019!

Confira a primeira parte da entrevista:

Tradução: Mony e Anna – Equipe ALBR

“Hey! Aqui é a Avril Lavigne e você está assistindo a Billboard.

Então, o primeiro single é “Head Above Water” e esta música é muito pessoal, faz muito parte de mim. Porque eu fiquei cinco anos longe dos holofotes, sendo três desses anos batalhando, lutando contra a Doença de Lyme. Então, eu fui capaz de escrever músicas da minha cama, e “Head Above Water” é uma música que escrevi em uma noite em que eu realmente acreditei que estava morrendo, e meio que aceitei isso. Definitivamente não estava nos planos escrevê-la naquele momento, mas como eu passei por algo tão pesado, tipo, tão emocional… e eu acho que justamente por ser uma artista e alguém que realmente tira proveito dos sentimentos e emoções, foi a experiência mais maluca que ja tive. A música está canalizada em mim, todas as letras e o conceito.

Essa música é realmente muito poderosa pra mim e eu acho e espero que isso consiga alcançar outras pessoas. Você sabe, todos nós temos que enfrentar coisas em diferentes níveis, e estou feliz e grata por ter tido a música durante todo esse processo e como sempre em toda a minha vida, mas especialmente por estar lutando contra uma doença e tendo a minha arte para me tirar de tudo o que vai com a batalha contra uma doença. Então… yeah!”

Confira também a entrevista completa:

Tradução: UnitedforAvril

A princesa filha da puta está na porra do seu castelo!

A princesa é Avril Lavigne, que colocou-se no 1º lugar da Billboard Hot 100 em 2007 com seu single “Girlfriend”. O castelo – uma casa no estilo Tudor, em um CEP ilustre localizado num bairro de Los Angeles – é o único lugar onde Avril tem presidido desde que sua turnê acabou em 2014.

Algumas semanas antes do lançamento de “Head Above Water”, o primeiro single dela em quatro anos e meio, Lavigne sentou abaixo do teto alto da catedral no seu estúdio em casa. Esse é o cômodo onde, enquanto esteve fora da vida pública, ela gravou muito do seu álbum – o qual ela planeja lançar no início de 2019.

Muitas das músicas da Avril falam sobre festejar – e a estátua do jogador de jóquei do uísque Jack Daniel’s que me recebeu no gramado – me sugeriu que nós acabaríamos bebendo uísque, ou ao menos o rosé que sua empresária sugeriu que eu trouxesse. (Avril Lavigne bebe rosé?) Mas Lavigne está tomando uma Vitamina C com água eletrólitos, combatendo suas alergias sazonais. Do seu assento em um sofá seccional cinza maciço (Avril Lavigne possui um sofá seccional?), ela revela que ela mesma pintou muitas das artes que estão visíveis na enorme sala de estar, e me mostra o caderno de anotações de devoção na cor rosa que sua mãe a deu. Abaixo das orações diárias – que estão no topo de cada página – tem acordes de violão e listas de tarefas ambiciosas escritas pelas letras redondas da Avril: Finalizar o álbum. Escolher o single. Gravar o clipe. Dentista.

Está tudo apenas tão… amadurecido/adulto, uma marca de que Lavigne deu um difícil passo desde seu álbum mais recente, o “AVRIL LAVIGNE” (2013), onde ela insistiu de uma maneira Peter Pan tipo “Seventeen” e “Rock N Roll”, que nós “ainda amamos isso” – “Isso” presumivelmente referindo a como Avril se inclina para letras sobre dias espontâneos bebendo. Entre aquele momento e o lançamento de “Head Above Water” em Setembro, nós ouvimos pouco sobre a Avril: quando ela apareceu no Good Morning America no verão de 2015 para falar que ela tinha sido diagnosticada com a Doença de Lyme; quando ela se divorciou do vocalista da Nickelback, Chad Kroeger, pouco depois no mesmo ano; e quando, em meio a essas duas mágoas, Taylor Swift a levou para fazer parte da “1989 World Tour” em San Diego para performar seu primeiro single “Complicated”. Avril diz que naquele momento ela pensou: “Oh, eu acho que vou parar de fazer música.”

E certamente, a serena mulher de 34 anos sentada na minha frente em seu sofá cama não parece exatamente pronta para arrasar. Quando Avril me diz o quão animada ela está por estar contando essa história, as palavras são ditas pela sua apática voz arrastada, que são tiradas para fora da sua boca de boneca como uma criança que está marchando na filinha de um passeio pelo museu. Será que a princesa filha da puta ainda quer essa coroa? Quem exatamente poderia ajudar se ela decidisse seguir isso? E por qual motivo ela desapareceu quatro anos atrás?

O espírito malcriado ainda vive em Lavigne. Ela logo troca sua Vitamina C pelo rosé, sobe em num skate rosa com seus sapatos Vans na cor rosa e passeia pelo seu corredor. A mãe dela e seu padrasto, que vieram do Canadá para visita-la, estão no quintal perto de vários animais de piscina infláveis. Mas Lavigne quer que se saiba que atividades ao ar livre são permitidas em seu castelo, e até mesmo encorajadas a serem realizadas dentro de casa! Ela me informa, usando uma grande espada que ela tirou de uma caixa e apontou para mim, que mais tarde, no início da noite, estarei saboreando uma garrafa de champanhe em comemoração. Quando Avril Lavigne está animada, seu tom retém sua relutância de dizer-algo-bom-para-sua-irmã, mas adiciona pontos de exclamação de gritos e risos. Parece que ela (como eu) simplesmente tem uma voz de vadia descansando.

Uma cópia enquadrada da última capa de Avril para Billboard fica pendurada em uma parede. Tem mais de 10 anos, mas mesmo com mais algumas tatuagens em seus antebraços, Avril parece a mesma, com seu delineador meio Courtney Love ao redor dos seus olhos azuis, e cabelos loiros que está entre o longo de Rapunzel e “não me importa” do Sebastian Bach. Hoje ela está vestindo uma grande blusa de moletom na cor rosa e decorada com costelas.

Empoleirada no bar da cozinha, abaixo de uma placa que dizia: “Vinho! Como as pessoas de classe ficam bêbadas”, Lavigne relembra uma antiga fase da sua carreira. “Cantei com Shania Twain quando eu tinha 14 anos”, diz ela em seu lugar ao lado de uma bandeja de doces. “Eu ganhei um concurso de rádio local enviando uma fita minha cantando.”

Avril salta pra baixo e abaixa seu vestido cortado no quadril, reencenando a performance de 1999 de uma entrada “pouco conhecida” de Shania Twain no Corel Centre em Ottawa: “O que fez você dizer aquilo? Foi a luz da lua? Foi a luz da estrela em seus olhos?” E Avril acrescenta um verso original para transmitir seu monólogo interior aos 14 anos: “Por que estou cantando essa música? O que estou fazendo? E se eu tivesse meu próprio show?”

Quando Antonio L.A. Reid assinou com Avril dois anos depois, Arista ofereceu músicas pré-fabricas para a adolescente. “Parte do meu processo de crescimento foi aprender a falar,” diz Lavigne tendo certeza que ela poderia continuar escrevendo sua própria música, o que ela tem feito por anos. Quando eu estupidamente expresso surpresa que agora Avril compõe música no piano, ela revira seus olhos e diz: “Eu posso tocar minha própria merda. As baterias, o violão/guitarra, o baixo e o piano.” Não era de se admirar então que ela estivesse se autodefendendo contra homens poderosos enquanto era nova o suficiente para precisar que seu irmão, Matthew, que é um ano mais velho, a acompanhasse.

“Eu quero, tipo, mais músicas de rock,” Avril disse que falou para a Arista. Então ela começou a trabalhar com compositores do The Matrix e Lauren Christy, que ajudaram a direcionar para a música/versos suas experiências adolescentes que eram bastante reais. Pegue o hit TOP 10 da Hot 100 “Sk8er Boi”: “Eu estava tipo, ‘Se eu ver um garoto andando rua abaixo e ele está de skate, eu automaticamente irei olhar e ficar tipo: ‘Quem é esse?’” Lavigne se lembra de explicar isso para os seus colaboradores. Isso se tornou “Ele era um garoto / Ela era uma garota / Eu posso tornar isso mais óbvio?”.

Ela não podia: era uma expressão de frustração juvenil com um nível de simplicidade de pintura de caverna. A franqueza autêntica dos sentimentos, o fato de que Lavigne parecia alguém que andava de skate pela casa dela, a gravata – tudo era irresistível. Quase 7 milhões de americanos compraram a “Let Go” de acordo com a Nielsen Music, e três anos depois de arrasar no show da Twain, Lavigne lotou o mesmo estádio com a “Try To Shut Me Up Tour”, colocando 17.000 assentos canadenses em assentos para serem comandados por uma pequena garota.

Avril não parecia estar fazendo uma declaração feminista intencional mais do que o que ela se jogou de cabeça para fornecer uma cena colorida para esta história. (Ela acabou patinando por tanto tempo que eventualmente tive que pedir a ela para parar e retomar a entrevista.)

Seu senso glorioso de não sentir remorso por qualquer coisa relacionado aos direitos de qualquer cara e seu som pop chiclete que tem inspirado artistas desde Swift (veja: a batida de Lavigne de “Shake It Off”) para uma ascendente nova geração do indie rock como Soccer Mommy (que disse para a Billboard que Avril é uma “perfeita mistura de Elliott Smith com Evanescence”), Snail Mail (“Eu apenas queria tanto ser ela”) e Alex Lahey, que diz: “Quando você pensa na coisa ‘um dos garotos’ que ela tem, no passado você teve tipos Joan Jett e Suzi Quatro. A vibe da Avril é mais apática.”

Essa postura – e a aversão de Lavigne ao que se chama colegialmente de “vender sexo” – também foi uma permissão para jovens mulheres fora da música. Para Jessica Williams, co-apresentadora do 2 Dope Queens da HBO e frequente faz cover de “Complicated” no karaokê, “Avril foi uma brisa de ar fresco; uma adolescente fodona com uma atitude de quem não dá a mínima. E enquanto, em retrospectiva, no vídeo ‘Complicated’ ela e seus amigos se comportavam muito mal no shopping naquele dia, pelo menos Avril estava se divertindo. Ela me fez querer me importar menos com garotos e mais com essa diversão. ”

Quanto ao seu próprio ícone, Avril Lavigne ainda coloca sua companheira de palcos no passado, Shania Twain, entre suas influências. “Eu amo a Shania!” ela diz, “Ela é super gostosa.“.

Acontece que Avril não tinha ouvido falar do embaralhar de esposas de Twain. (Em 2008, o marido e produtor de Twain, Robert John “Mutt” Lange, teria deixado Twain para se casar com sua assistente e amiga. Então Twain se casou com o ex-marido da mulher.) É como Lavigne parece estar triste, particularmente pela ideia apresentada por uma de suas assistentes de que os casais poderiam estar se oscilando um com o outro antes da separação. “Qual é o ponto de se casar?”, pergunta a cantora que se divorciou duas vezes. Um dos assistentes tenta consolar Lavigne, observando que o marido da melhor amiga é “muito mais gostoso”.

Sinto-me no dever de ressaltar que Lange é talentoso: ele produziu Twain, é claro, a AC/DC e Nickelback, a banda que é liderada pelo ex-marido de Lavigne.
“A verdadeira questão”, diz Lavigne, se animando, “é quem tem o pau maior!”

Ela descreve como ela acabou se casando com Chad Kroeger. (A história pelo menos não envolve o pau dele.) Em 2012, seu então empresário, Larry Rudolph, o que tomava conta da carreira da Britney Spears, perguntou-lhe o que ela pensava sobre trabalhar com ele. “Ele teve uma tonelada de músicas de sucesso. Ele toca violão. Isso pode ser ótimo”, diz Lavigne, lembrando sua reação inicial. “Um mês depois eu tinha um anel de 14 quilates no meu dedo.” Em outras palavras: Lavigne não se casou com Kroeger e depois começou a grudar nele. Ela colaborou com ele na criação de sua obra e depois se casou com ele. E ela ainda o defende: “A banda do Chad já vendeu mais de 50 milhões de álbuns! Eles estão lotando arenas em todo o mundo!” ela diz. Além disso, ele trouxe uma garrafa de US$3 mil dólares do vinho Screaming Eagle para sua primeira sessão. Como poderia Lavigne não pensar, como ela se lembra, “Tipo, eu estou apaixonada”?

Depois de dois dias no estúdio, Lavigne disse a Kroeger que iriam fazer tatuagens combinadas, lendo “Vivre le moment present” – apropriadamente, “Viva o momento presente” – em seu estúdio, Lavigne mostra mais desenhos, do cupcake com um crânio em sua cobertura (escolhida durante a filmagem do vídeo “Hello Kitty” no Japão) para a constelação de estrelas no seu quadril (descoberta quando Lavigne se levanta, descompacta o short e puxa-o para baixo). Ela descobriu as estrelas na manhã depois que as tatuou. “Eu lembro, tipo, fazendo xixi”, lembra Lavigne, “e olhando para ela tipo ‘Que porra eu fiz?!’ Eu amo isso.”.

Lavigne estima que ela tenha feito 75% de suas tatuagens em conjunto com outras pessoas. “Você quer ir fazer tatuagens?”, Ela pergunta. Eu rio nervosamente, me perguntando se a Billboard vai custar a remoção a laser. “Shamrock é aqui na rua. Yasss, vamos tatuar juntas, vadia!” Essa vagabunda não teve rosé suficiente para fazer isso.

A maneira como Lavigne vê as coisas, sua intuição sobrenatural justifica essa impulsividade. “Eu me lembro de estar em Nova York com 16 anos”, diz ela, “e de estar percebendo: ‘Oh, eu posso conhecer alguém e dizer que tipo de pessoa ela é.’ Quero dizer, é o que eu faço com a minha música. Eu sou muito sensível e hiper consciente.” E, portanto, quando se trata de coisas como fazer tatuagens e se casar com membros do Nickelback: “Eu me jogo!”

Embora Lavigne brinque com o fato de ter se divorciado duas vezes aos 33 anos, “eu amo o amor”, ela diz. “A maneira como eu olhei para isso é que me casei com meus longos termos.” Ela conheceu seu primeiro marido, Deryck Whibley, vocalista do Sum 41, aos 17 anos. (Suas tatuagens combinando: uma nota musical e o número 30, marcando o 30º aniversário do Whibley). Depois que o casamento terminou, Avril fala carinhosamente de seus ex-maridos, concedendo a Whibley o foda de Ottawa: “Ele é um bom sujeito canadense”. Como ela não se arrepende disso, também não podemos. “Eu vejo esses olhos”, ela diz para mim. “Isso foi meio que agridoce aww.”

Depois de realizar um cover da sua música favorita da banda Nickelback, “How You Remind Me”, Lavigne procura no YouTube por ela e pela apresentação com Whibley em “In Too Deep” do Sum 41. “Que ótima música, certo?”, Pergunta Lavigne. (Eu tenho que admitir, é.) Ela se junta com a voz dela mesma aos 23 anos no vídeo para harmonizar: “Porque eu estou muito afundada…”

Os versos de “In Too Deep” são reminiscentes de “Head Above Water”, a primeira faixa totalmente invertida do novo álbum de Lavigne. “Deus, mantenha minha cabeça acima da água”, ela canta. “Não me deixe afogar”. A música explica por que Avril Lavigne desapareceu e como ela voltou.

Lavigne começou a se sentir mal durante sua turnê de 2014, em médico após médico e se perguntando a mesma coisa: “Estou com dor, estou cansado, não consigo sair da cama, que porra é que está errada comigo??”

Só piorou quando a turnê terminou. Um amigo dela finalmente disse: “Cara, acho que você tem a doença de Lyme”. Coincidentemente, a então esposa do produtor musical canadense David Foster, Yolanda Hadid, foi diagnosticada com a doença transmitida por carrapatos, que se desenrolou em um arco de várias temporadas de “The Real Housewifes of Beverly Hills”. Uma amiga sugeriu que Lavigne ligasse para Hadid, que lhe deu o número de um especialista em Lyme.

“Depois disso”, diz Lavigne, “eu permaneci na cama por dois anos.” Era como estar sendo iluminado pelo corpo dela. Em vez de ser capaz de fazer o que sempre fizera – precisamente o que queria -, ela ficou presa. Os médicos a colocaram em vários antibióticos e antimaláricos num grande esforço para se recuperar de uma doença que não tem um protocolo padrão de tratamento. “É um bug – uma espiroqueta – então você toma esses antibióticos, e eles começam a matá-la”, Lavigne explica. “Mas é um erro inteligente: ele se transforma em uma forma cística, então você tem que tomar outros antibióticos ao mesmo tempo. Fiquei sem diagnóstico por tanto tempo que eu estava meio que fodida.”

Em tempo real, era difícil saber o que fazer com a ausência da Avril, para conciliar suas alegres postagens nas mídias sociais com a entrevista chorosa para o Good Morning America em que ela disse que os médicos haviam dito que ela era “louca” por achar que estava doente. Essa chicotada foi exacerbada pelas próprias ideias conflitantes dela sobre o que constituía a coragem: havia uma maneira de chamar atenção para a doença de Lyme, mas não para seu próprio sofrimento? Por um lado, ela diz: “Eu estava meio que tipo ‘Vou ser corajosa e dizer ao mundo o que está acontecendo.’ E eu fiz isso porque estava lançando uma música para as Olimpíadas Especiais e queria que ela fizesse bem, então eu fui forçada a sentar na frente da câmera e falar sobre isso [no GMA]. Eu não estava pronta e não deveria ter feito isso. Eu estava uma bagunça.” Ao mesmo tempo, ela diz: “Eu coloquei uma cara corajosa porque eu não queria que isso fizesse parte da minha identidade. Então, no segundo em que eu estava me sentindo bem, tiraria uma foto, postaria no Instagram, e agiria como se minha vida fosse ótima pra caralho.”.

Lavigne parece irritada com os médicos que não descobriram como curá-la, irritada por eu não entender o quão enganadoramente editada foi a entrevista para o GMA em 2015, aborrecida por estar contando essa história. Ela parece irritada quando ela diz: “Isso é eu estar totalmente vulnerável com você agora”, unindo as sobrancelhas e arrastando os dedos pelos cabelos. Ela esclarece: “Eu não quero falar sobre isso. Eu não quero reviver isso. Mas é a minha responsabilidade.”

Avril está irritada porque um carrapato a mordeu enquanto ela estava fazendo algo como andar fazer trilha de carro ou caminhar com amigos – ela não sabe exatamente como isso aconteceu – e agora é seu dever educar as pessoas sobre a doença de Lyme. (Que é, a propósito, foi recém-adicionada às causas apoiadas da The Avril Lavigne Foundation, que ajuda pessoas afetadas por doenças sérias e incapacidades.) E o mais irritante de tudo, Avril teve que considerar o que as pessoas pensam dela. Ela tem que nos informar que ela não foi deixada para trás por um mercado no qual o hip-hop substituiu o pop e o rock tradicionais. Ela não estava mais fazendo música. Ela não estava de luto pelo divórcio. Ela foi aniquilada por uma infecção.

Uma noite, na cama com a mãe e quase incapaz de respirar, ela começou a rezar. “Eu aceitei que estava morrendo,” diz ela “e eu me senti naquele momento como se estivesse debaixo d’água e me afogando, e eu estava tentando chegar na superfície para respirar. E literalmente sob a minha respiração, eu fiquei meio que ‘Deus, me ajude a manter minha cabeça acima da água.’”.

Lavigne pegou o telefone e abriu as notas. Ela estava com o início de uma canção, e se não fosse um caminho para fora da água, pelo menos era alguma luz visível acima da superfície.

Chad Kroeger e Avril Lavigne já haviam se separado quando ela escreveu esses versos. Mas porque ele é, atesta Lavigne, outro “grande cara canadense”, eles permanecem próximos, e ele trabalhou em várias faixas de seu álbum, incluindo “Head Above Water”. A primeira vez que ela cantou – ou qualquer coisa, depois de anos – estava em seu estúdio. Lavigne estava apavorada. Sua voz teria murchado como seus músculos? Mas quando ela abriu a boca, a voz estava lá. “Deus estava tipo, ‘Não, você vai continuar fazendo música’”, diz Lavigne. Naquele momento ela começou a acreditar que seu dom era inato, santificado e descomplicado, agora aprofundado em algo mais profundo do que suas expressões anteriores de frustração.

“O bom disso” – voltando à saúde depois de anos de incapacitação, fisioterapia e medicamentos poderosos – “é que eu realmente tive tempo de poder estar apenas presente, em vez de ser tipo uma máquina: estúdio, tour, estúdio, tour. Este é o primeiro intervalo que eu já tomei desde que eu tinha 15 anos.” Desta forma, a quebra de Avril foi uma bênção.

E assim, “Head Above Water” soa como a oração que é. E na canção, a voz de Lavigne é enorme, cheia de gratidão por sua própria existência, um coral inteiro vindo de um corpo minúsculo. É surpreendente e perfeito que Avril Lavigne tenha um sucesso na parada da Hot Christian Songs da Billboard.

“A música é poderosa”, diz Avril, encolhendo os ombros e arrastando seus Vans através de seu chique sofá seccional.

Estamos no gramado de trás, depois de ver num vídeo do YouTube que saborear champanhe é uma atividade melhor aproveitada do lado de fora. “Você é tão responsável”, diz Lavigne, talvez lembrando que eu não quis me juntar a ela na sala de tatuagem do Shamrock. “Eu amo isso”. A garrafa é decapitada em um golpe, e todos nós comemoramos. “Isso foi perfeito”, decretou ela.

Há muito para se brindar. Um brinde ao álbum da Avril e da turnê que virá logo depois. Um brinde a permitir-se ser vulnerável. Um brinde à liberdade. Um brinde a estar amadurecendo. Um brinde a andar de skate pela mansão que você conquistou e não dar a mínima pra o que as pessoas pensam.

Um brinde para a princesa filha da puta. “Ela evoluiu para a Rainha Lavigne”, diz Avril. “O que acha disso?”

A Billboard liberou fotos inéditas da entrevista que foram fotografadas por David Needleman, em 13 de Agosto de 2018. Clique nos thumbs abaixo para conferir na galeria:

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FONTE

Graduado em Análise e desenvolvimento de sistemas, trabalha como suporte técnico em TI na área da saúde. Amante de música eletrônica, é frequentador de baladas, barzinhos e casa de amigos, também é apaixonado pela música e estilo de Avril Lavigne desde 2002.