A resenha a seguir foi feita pelo Rafa Willig da Equipe ALBR. Confira o que rolou no show da nova turnê "Bonez Tour" em Paris, na França.

Avril, Ossos e Paris: uma mistura explosiva
Por Rafa Willig
 
Ir a um show da Avril... primeira sensação: frio na barriga. É o sonho de todo fã participar de um evento como esse, ainda mais sendo um show oficial de uma turnê recém-lançada como a “Bonez Tour”, numa bela capital mundial como Paris, não é mesmo? Pois bem, saiba agora como foi essa experiência com exclusividade...
Já no mês de julho os cartazes estampados nas paredes dos metrôs de Paris anunciavam o grande evento: a mesma foto já conhecida pelo público através do pôster de “Under my Skin” foi a escolhida para ser o cartaz da tão esperada turnê, a “Bonez Tour 2004 – Eyes”.
Ingressos esgotados meses antes, era só uma questão de tempo para conhecer Avril Lavigne em pessoa...
 
O Local 
O show aconteceria no “Le Zenith”, um ginásio de shows muito bonito, todo construido em vermelho e preto, e muitos shows bacanas como Nightwish e Dido virão se apresentar ainda esse ano no local. O ginásio fica dentro de um complexo parisiense chamado “La Cité de la Musique” (a cidade da música), um grande e moderno complexo de ginásios e salas de espetáculos musicais.
Por mais incrível que pareça, a sensação de entrar pelos portões do local era a mesma de assistir o clip de ‘Losing Grip’. O local é extremamente parecido com o do clip, as luzes vermelhas e azuladas, os portões, tudo fazia lembrar o clima do vídeo. E o público lotou o ginásio, a casa estava realmente cheia quando o show começou. Só faltava a própria Avril cantando “Why should I care..”
 
A Espera 
Chega o tão esperado dia 28 de setembro. Já as duas da tarde o pátio do local estava repleto de fãs, sentados, guardando lugar na fila. Sempre vale uma pausa para um sanduíche oferecido pelo vendedor de baguetes (sim, aqui na França, ao invés do vendedor de pipocas, temos o vendedor de baguetes...), comer uma maçã, pegar uma canetinha e pintar a cara com os símbolos da Avril (alguns fãs com a estrela, outros com o xis do novo álbum estampado na bochecha), cantar uma canção da Avril em grupo ou simplesmente tirar uma soneca.
Lá pelas quatro e meia ou cinco horas da tarde todos se levantam e começam a esperar na fila, em pé. Mas a espera ainda seria grande: somente as seis e meia os guardas do local liberariam a entrada, e foram entrando, um por um, os fãs, revistados e tendo suas máquinas fotográficas apreendidas (sim, era proibido, mas eu levei escondido mesmo). Depois da entrada, mais uma corrida até o portão do local, e depois mais uma corrida pra chegar num bom lugar aos pés do palco.
 
Bowling for Soup 
Mais um pouco de espera e as sete e meia em ponto começa o show de Bowling for Soup, a banda de abertura dos shows europeus de nossa musa, cujo símbolo é a figura de uma placa de trânsito amarela com um bonequinho vomitando num vaso sanitário (chique, não?). Muito talentosa, a banda é composta de integrantes muito sacanas, que adoram fazer piadas do tipo “Essa é a primeira vez que fazemos um show em Paris, e queremos dizer que esse é o melhor público do melhor show que já fizemos em Paris”, palavras do vocalista, que arrancou risos da platéia em vários momentos.
Impossível também esquecer do talentoso (e obeso) guitarrista, que passou o show “coçando”, derrubando a palheta, fazendo careta e mexendo com as meninas francesas. “Vocês são lindas, todas muitos lindas”, repetia ele a todo o momento. E ainda disse: “estamos felizes porque passamos a tarde ‘zoando’ com gatinhas francesas...”. Um sarro.
Pra fechar de uma maneira bem original, a banda ainda cantou sua versão heavy metal pra ‘Baby one more time’, de Britney Spears, o que não deixou de ser interessante. Mais risos na platéia, que se animou e cantou junto.
 
O Show 
Chega a hora de esperar por Avril Lavigne. Os fãs começam a berrar o nome de Avril, e começam a cantar em coro um parabéns pra você de improviso pelo aniversário da cantora, que tinha sido no dia anterior.
Nisso, desce de repente uma grande lona, uma espécie de toldo preto com o símbolo da turnê (um cérebro cheio de pequenos xis – novo símbolo de Avril – e o símbolo do Backbone, fã clube oficial dela, ao lado). Logo abaixo, estava escrito o nome oficial da turnê, “Bonez Tour 2004 – Eyes” (com o detalhe divertido de os dois zeros de 2004 serem desenhados como dois olhinhos vesgos).
Quinze ou vinte minutos depois, apagam-se as luzes e os primeiros acordes são escutados. De repente, uma luz acende no palco, e lá está Avril de guitarra na mão, ao lado de seus dois guitarristas, arrasando nos primeiros acordes de “He wasn’t”.
Avril aparece vestida impecável, linda em preto, com os cabelos loiros e lisos muito bem cuidados e penteados. Pessoalmente, Avril é uma boneca, seus movimentos são um tanto quanto desengonçados, porém muito charmosos, ela põe muito estilo em tudo que faz, desde pegar o microfone a tomar um gole d’água. Extremamente delicada, ela tem a voz doce quando fala com o público, porém muito potente quando canta os versos de suas canções.
Seus olhos são enormes, de uma expressividade assustadora, e seu sorriso encantador. Quando ela olha para o público, e acena, todos vão ao delírio, impossível não se encantar. E, sim, Avril é baixinha! E isso a torna ainda mais charmosa, ela é realmente pequena, e por isso mesmo se movimenta pelo palco com rapidez e desenvoltura impressionantes. Além disso, Avril é super educada, uma verdadeira artista, sabe levantar o público e ser gentil e profissional.
Enquanto ela canta “He wasn’t”, o toldo cai e lá está Matt, ao fundo, tocando sua bateria, e um grande telão passando imagens de Avril que nunca ninguém viu, como ela ensaiando pro show, ou ainda ela lutando boxe. O show se torna super empolgante já no início. Logo depois de He Wasn’t, assim de cara, ela já canta seu super sucesso atual, My Happy Ending, seguida de Take me Away e Freak Out.
Depois disso, Avril larga a guitarra e sai correndo pra cantar Sk8er Boi, levando ao delírio seus fãs. Outro momento alto do espetáculo é I’m With You, quando todos levantam seus celulares e balançam os braços, cantando em coro. Nesses trechos e também em Losing Grip, aparece ao fundo a estrelinha vermelha, símbolo do álbum Let Go.
Logo após essa parte Avril dá uma descansada sentando num banquinho e cantando, tocando violão, três músicas suaves: Tomorrow, Fall to Pieces e seu novo single, Nobody’s Home.
A novidade da turnê fica por conta do ar sombrio dado a algumas canções. No meio do show, as luzes se apagam e Avril aparece, de repente, sozinha no meio do palco, junto a um enorme piano negro, e velas vermelhas (de mentira, claro, com luzinhas dentro) espalhadas pelo chão. Nesse clima triste e sombrio, Avril canta Together, e depois Forgotten, também ao piano.
Nisso, Avril levanta e canta Don’t tell me. “Essa é especialmente para as garotas”, diz ela. Depois vem “Unwanted”, e ao fim dessa música as luzes se apagam novamente.
Nessa hora aparece uma imagem azul no telão, com aquela famosa foto do encarte de Let Go, em que Avril balança os cabelos com uma guitarra. De lá de trás, escondida, Avril canta as famosas notas “No, no, no... la la la laaa...”. Sim, era Complicated, e essa espera faz a platéia levantar e chamar Avril em coro.
Ela volta, canta Complicated, no que acaba se tornando o climax da apresentação, e as luzes se apagam novamente. Mais uma vez, Avril volta então ao piano e canta a última canção do show, “Slipped Away”. Mais um tchauzinho para o público, um “Merci, Paris”, e lá se vai Avril Lavigne, deixando o palco sob as palmas do público...
Na saída, um último gostinho de Avril Lavigne para os fãs: muitos vendedores de pôsteres enormes e camisetas do show esperavam o público espalhados pelo caminho.
 
As Músicas
Como Avril já havia dito em entrevistas, nessa nova turnê ela não faz covers de outras bandas, como fez em “Try to shut me up” com ‘Basket Case’. Dessa vez, ela canta o show inteiro seus próprios sucessos. São 11 músicas de Under my Skin e 8 de Let Go. As 19 músicas do programa da nova turnê são as seguintes, nessa ordem:
 
He wasn’t
My Happy Ending
Take me away
Freak out
Sk8er Boi
Who Knows
Naked
Mobile
I’m with you
Losing Grip
Tomorrow
Fall to pieces
Nobody’s home
Together
Forgotten
Don’t tell me
Unwanted
Complicated
Slipped Away
 
Avril fala: 
Algumas das frases de Avril durante o show:
“Eu estava pensando em como chamar essa turnê, então decidi chamar de Bonez (ossos), pois é sobre isso que fala Under my Skin, ha ha... é engraçado, não é? Vai dizer que vocês não acharam graça?”
“Parem de cantar parabéns pra mim, hoje é aniversário do Craig, não meu, vocês tem que cantar pra ele!”
“Eu vou cantar agora uma canção chamada ‘Nobody’s Home’, é meu próximo single... eu acabei de gravar um vídeo pra ela, então fiquem de olho.”
“Esse ano tivemos umas mudanças na minha banda... esse é o Craig, meu novo guitarrista, comigo desde os tempos de Complicated, e agora na minha banda.”
“Eu juro que tô tentando aprender francês, mas ta faltando tempo, gente...”
 
Os fãs falam:
Alguns depoimentos de fãs franceses momentos antes do show:
“Eu acho que a Avril tem uma energia muito boa, eu já fui em um show dela, e de todos os shows que já fui, foi o melhor. Já vi Placebo, Nightwish, mas o melhor show foi o dela.” Robert, 18 anos, de Paris
“Eu gosto mais de Let Go do que de Under my Skin. Acho que os dois são bons, mas Let Go era feito de músicas para se fazer performance no palco, já Under my Skin foi feito pra se escutar na rádio.” Sophie, 19 anos, de Limoges
“Eu acho que Under my Skin é muito melhor que Let Go. A Avril tá muito mais profissional e canta mais alto do que antes. E além disso ela tá mais bonita loirinha.” Julien, 19 anos, de Limoges
“Ainda não conheço todas as músicas, mas adoro a Avril. Meu amigo é muito fã, e eu acho ela uma cantora muito afinada. Quero comprar o cd novo ainda.” Claire, 18 anos, de Limoges