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RESENHA DO CLIPE DE ‘HELLO KITTY’

O lançamento de Hello Kitty na noite (praticamente madrugada) do dia 22 foi recebido com um bombardeio de críticas de diferentes sites ao redor do mundo. Enquanto Mashable e Billboard consideraram o vídeo um “fracasso”, ou uma “vergonha em qualquer língua”, a página do Entertainment Weekly trouxe sua resenha que, não apenas defendia, mas justificava o quarto single de Avril Lavigne.

No Brasil, as reações também foram mistas, mas uma coisa foi praticamente unanima: o choque dos fãs ao ver o novo vídeo lançado junto com o quarto single (mesmo que apenas na Ásia) de Avril Lavigne.

Minha reação ao vídeo foi igual a de muitos fãs. No primeiro momento, não gostei. Depois vi de novo, e de novo, e encontrei um certo charme. Lá pela décima vez, foquei minha análise em uma perspectiva mais técnica/ comercial e aqui vão algumas impressões que acredito serem relevantes ao lidarmos com Hello Kitty.

Primeiramente, revejamos a canção em si e sua letra (ou a falta dela) 

Hello Kitty se parece com duas músicas no espaço de uma, como Smile e Hot. Existe uma grande diferença de estilo entre o refrão e os versos da música. No caso de Hello Kitty, confesso que mesmo descrevendo o refrão como ‘repetitivo’ e até um pouco ‘enjoativo’ às vezes, os versos iniciais, com as guitarras e a letra ambígua (sobre a fatídica festa do pijama e Avril brincando com a ‘gatinha’ dela), ainda carregam muito do estilo Lavigne. São diretos, levemente agressivos, divertidos. Embora o toque dubstep seja ‘ousado’ para Avril, a letra é tão Avril Lavigne quanto poderia ser…

Quanto ao vídeo, ponto 1: A falta entusiasmo

Vamos confessar que o vídeo que Avril Lavigne gravou para a Avril TV cantando e dançando Hello Kitty foi mais empolgado do que a performance dela no vídeo todo? Fica a dúvida, claro, se a proposta do vídeo era ser um pouco mais contida, afinal, os japoneses não são um povo culturalmente expansivo e extrovertido e muitas expressões, risos e gritos chega a ser ‘exagero’ para eles, ou se ela simplesmente falhou em passar a mensagem de que Hello Kitty era uma música animada inicialmente pensada para tocar em boates. Julgando pelas dançarinas no fundo da cena, é bem provável que seja a proposta do vídeo mesmo: colorido, para cima, mas sem excessos.

Ponto 2: Os esteriótipos

Avril Lavigne foi criticada por diversos sites e por muitas pessoas no Twitter que chamaram seu vídeo de racista. É importante lembrar aqui que o termo ‘racista’ é frequentemente adotado por estadunidenses para expressar, não apenas preconceito racial, mas também comportamento esteriotípico. Os críticos alegam que Lavigne mostra uma versão fantasiosa do Japão, sem profundidade. O interessante é notar, como a própria cantora apontou, que o clipe foi gravado no Japão, com dançarinas e diretor japoneses. O que não deixa dúvida do seguinte: eles escolheram a visão que queriam mostrar para o mundo. Pegaram os pontos que são mundialmente famosos e colocaram no vídeo: como Lavigne é amada pelos fãs, as lojas de doce, as roupas e acessórios coloridos, e as bebidas e comidas típicas. Não é muito diferente de filmes que brasileiros fariam sobre o Brasil se estivessem na mesma situação. Alguém ainda duvida que se Lavigne viesse aqui e dissesse que queria gravar um clipe sobre o Brasil, as pessoas empurrariam camisas de futebol, praias e talvez até o Carnaval para cima dela? Por que quando Michael Jackson e Snoop Dogg fizeram isso com o Brasil nenhum de nós reclamou?

Ponto 3: O vídeo é tanto como Lavigne vê o Japão quanto como os japoneses vêem Avril Lavigne

Aqui temos um ponto crucial. A Avril do vídeo é diferente. Ela não é a Avril de Sk8er Boi tampouco a de Girlfriend. Existem várias novidades no estilo e no comportamento dela. Ela não pula, não grita, não fala palavrão. Onde está o dedo do meio? Onde estão as pichações? Em lugar nenhum. A Avril que vimos é a Avril que o Japão vê a aprendeu a amar: colorida, bem vestida, sorridente. Se vamos falar de esteriótipos, então que falemos desse: Vemos o Japão que a Avril Lavigne vê, e a Avril Lavigne que o Japão vê.

Ponto 4: Falta enredo 

Sim, falta enredo. O clipe é uma série de cenas em lugares diferentes, com cenários até caprichados para um single somente lançado na Ásia. Mas vale a pena lembrar que o Japão produz histórias (pensem em mangás, por exemplo) com longas cenas sem falas, apenas com olhares e com episódios inteiros sem uma ação qualquer. O que isso significa? Que nem tudo precisa ser linearmente organizado, com começo, meio e fim para eles. Que clímax não é fundamental para a cultura de lá, que, ao contrário da nossa, não é completamente baseada nos grandes filmes de Hollywood. É claro que a letra de Hello Kitty (me refiro aqui à parte da festa do pijama novamente) poderia render uma história bacana. É claro também que a própria Hello Kitty fez falta. Mas existem tantas coisas que faríamos melhor se tivéssemos a chance, e tão menos que faríamos de verdade…

Finalmente, algo inovador de Avril Lavigne

Em minha resenha do álbum Avril Lavigne em novembro do ano passado (que pode ser lida AQUI), critiquei a escolha dos singles e mantenho o que eu disse: Here’s To Never Growing Up é uma excelente canção, mas é mais do mesmo. Ela até mesmo toca os acordes de Complicated. Rock N’ Roll é um mash-up de Bad Reputation e I Love Rock And Roll, e Let Me Go parece uma canção do Nickelback na voz de Avril. Se as canções são boas? São, mas são singles que teriam vendido em 2002, quando Let Go surgiu no cenário musical. Em 2013/2014, o mundo é outro. E por mais que queiramos que Avril Lavigne mantenha suas raízes, temos que reconhecer que ela também precisa vender para lançar material novo e que precisa inovar, pois, por mais que isso nos cause desconforto, são os singles mais ousados que se tornaram os mais famosos: Sk8er Boi (onde ela oficialmente se lançou como ‘moleca’) e Girlfriend (onde ela chocou o mundo como ‘princesinha’). Na mesma resenha, expressei minha opinião de que os melhores singles do álbum teriam sido Bad Girl (pois nada chocaria mais do que a parceria Avril e Manson), Give You What You Like (pois em plena era indie, Lavigne acerta a mão em um estilo tão diferente do seu) e Hello Kitty (exatamente por ser diferente do que já havia feito antes). Qualquer forma de publicidade é bem-vinda no mundo da música… Pensem em Miley Cyrus. Ela explodiu com We Can’t Stop e Wrecking Ball, causou desconforto, e deixou vários fãs para trás, mas se tornou indubitavelmente mais famosa e conseguiu milhares de novos fãs.

Resumindo: mesmo acreditando que Hello Kitty não é o melhor já feito por Lavigne, é novo, diferente e está atraindo a atenção de muita gente… Mais do que se esperava de um quarto single. Se nos lembrarmos que Losing Grip foi o quarto single de Let Go, He Wasn’t de Under My Skin (que não foi single nos Estados Unidos), The Best Damn Thing do álbum de mesmo nome, e que Goodbye Lullaby sequer chegou a vender quatro singles, podemos considerar Hello Kitty o primeiro quarto single a realmente chamar a atenção da mídia. Afinal, por mais que gostemos das outras três canções, elas não foram propriamente ‘bem sucedidas’ comercialmente falando.

Que venha o novo! Que venha uma nova Avril Lavigne por aí!

Matéria do Entertainment Weekly AQUI. Do Mashable AQUI. E da Billboard AQUI.

Ainda não viu o vídeo ou quer ver de novo? Dá uma olhada nele aqui:

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